Qual o impacto da Covid-19 nas lojas de bicicletas?

Com a pandemia do Covid-19, muitas lojas de bicicletas tem enfretado queda no faturamento, embora possam permanecer abertas como serviços essenciais. Segundo um levantamento da Aliança Bike, o tamanho da queda chega aos 50% para metade dos 161 entrevistados. Já para 1/3 das lojas, o buraco foi de 70%. Somente 6% dos entrevistados registraram aumento no faturamento. A pesquisa, que ocorreu em 17 estados do Brasil, considerou o movimento das lojas no período entre 15 de março e 15 de abril.

Para Pablo Weiss, proprietário da Maiss Bike Stores, localizada em Porto Alegre, o ritmo de trabalho sofreu poucas alterações desde que instalado o isolamento social na Capital gaúcha. “Se compararmos abril de 2020 com o mesmo período do ano passado, tivemos crescimento, mas claro que é um período delicado”.

É o mesmo caso da Redenção Bicicletas, que percebeu aumento no faturamento em comparação com abril do ano passado. Segundo Alexandre Bezner, proprietário da empresa, houve crescimento na busca de bicicletas usadas no período de pandemia. “Além disso, muita gente tem trazido aquela bicicleta que tinha sido escanteada para voltar andar”, salienta Bezner.

O empresário porém diz que a loja esta atendendo apenas duas pessoas por vez para evitar aglomerações.

De acordo com Pablo Weiss, que também é membro do Conselho Cicloviário de Porto Alegre, os períodos de crise expõem ainda mais a necessidade e a importância das bikes. “Na greve dos caminhoneiros registramos aumento nas vendas e agora com a pandemia esse modal ganha novamente destaque, principalmente em países europeus”.

Metade dos lojistas adotou férias compulsórias de uma parte dos funcionários ou redução da jornada de trabalho, segundo pesquisa da Aliança Bike. O salário integral foi garantido por 3/4 dos lojistas e a demissão de parte dos funcionários ou todos eles, foi a medida tomada por apenas 30% dos respondentes. Ao contrário de outros setores, o home office não foi adotado por nenhum dos funcionários de 70% das lojas de bicicletas.

Porém, como devemos ficar em casa sempre que pudermos – e isto inclui aquelas boas pedaladas – tem crescido nas oficinas a busca por rolos, acessório que permite treinar com a bicicleta dentro de casa. O crescimento médio foi de 250% na busca de rolos, de acordo com as lojas pesquisadas.

O futuro após a Covid-19:

Para os lojistas do segmento de bicicletas, mesmo com a crise econômica gerada pela pandemia, as perspectivas para o futuro são boas. 77% dos entrevistados acreditam que a bicicleta, como meio de transporte, será a principal solução para o deslocamento das pessoas na cidade e, com isso, as vendas de bicicletas crescerão acima da média assim que o isolamento social terminar.

Conforme opina Weiss, embora acredite que as bicicletas terão ainda mais importância no pós-pandemia, é preciso de políticas públicas em Porto Alegre para aumentar a malha cicloviária e planos de incentivo para o uso das bikes, cada vez mais tímidos na Capital gaúcha.

Apesar do otimismo no eventual crescimento da demanda, para 73% dos lojistas o estabelecimento só retornará à normalidade, do ponto de vista financeiro, no ano que vem. E para 95% das lojas, a redução da carga tributária do setor de bicicletas como um todo é a medida mais urgente a ser adotada neste momento.

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