Porto Alegre mais ciclista? Veja os projetos de mobilidade encabeçados na Covid-19

Com 54 quilômetros de ciclovias construídas, Porto Alegre parece multiplicar ciclistas em suas ruas. É verdade que novos adeptos da bicicleta crescem a cada ano, mas houve um salto considerável de usuários em razão do Coronavírus. Aliás, este salto é uma nova realidade global, e tem pressionado gestores públicos a pensar e desenvolver cidades mais pedaláveis.

Cidades como a do México, Bogotá, Lima e muitas outras da Europa estão implantando novas estratégias de deslocamento urbano, transitórias ou definitivas, para conter o vírus e estimular a economia, como ciclovias temporárias e subsídio para compra de bicicletas. Mas o que Porto Alegre tem feito, ou pode fazer, para pegar carona nesta demanda por uma nova mobilidade?

— Precisamos ser muito cuidadosos. Em Bogotá, assim como na Cidade do México, a prefeitura está pegando ciclovias temporárias, que já existiam antes da pandemia e eram usadas nos finais de semana, e as tornando permanentes. Nesses casos, o motorista já tem a noção dos locais onde estão essas faixas temporárias. Temos que ter cuidado para não introduzir um elemento novo, com pouca sinalização e sem o costume da sociedade, para não colocar o motorista e o usuário da bicicleta em risco — explica o secretário extraordinário de mobilidade urbana, Rodrigo Tortoriello.
“É preciso estudar as alternativas sem perder o tempo certo da execução“. Crédito Gustavo Roth, EPTC.

Sem dar muitos detalhes, Tortoriello diz que um novo plano de ciclovias temporárias está sendo desenhada pela Prefeitura de Porto Alegre, assim como ampliação da área de pedestres no Centro Histórico. — Precisamos estudar todas alternativas, mas sem perder o timing. Estudar eternamente também não é uma saída.   

Como forma reduzir os carros na cidade, aumentar os usuários de transporte público e incentivar a mobilidade ativa, outra iniciativa da Prefeitura é a Tarifa de Congestionamento,  que faz parte de uma série de medidas para fomentar o transporte público, e que está para ser votada na Câmara de Vereadores. A proposta, que também busca taxar aplicativos como Uber e 99, gera polêmica e enfrenta bastante resistência entre vereadores. 

— A sociedade organizada que defende a mobilidade ativa deveria mostrar para os vereadores que a ideia não é tão absurda assim. É preciso se posicionar. Por exemplo, cada ciclovia inaugurada gera antes resistência, seja por tirar espaço de estacionamento ou qualquer outro motivo. Nesses casos, quem é contra faz barulho e quem apoia não vem apoiar — salienta Tortoriello. 

O Plano Cicloviário de Porto Alegre

Apresentado em 2009, o Plano Cicloviário de Porto Alegre construía uma cidade adepta de forma quase integral ao ciclismo. No papel, uma cidade com a malha cicloviária que chegava aos 500 quilômetros. Fora do papel, pouco mais de 10% (54 quilômetros) em 11 anos. Cerca de 36% das ciclovias estão em região de baixa renda em Porto Alegre.

Segundo Tortoriello, o risco de você colocar uma meta muito ousada no começo é que os avanços parecem pequenos perto do desafio. Os trechos entregues neste ano:

500 m – av. Paulo gama e Luiz Englert + FE
700 m – av. Mauá + FE
1700 m – av. Ipiranga + FE
1300 m – av. Aureliano de F.Pinto
200 m – av. Getúlio Vargas X Aureliano
Total = 4400 metros

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